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Drummond, o poeta que lutava

29-03-2017

Afiado com as palavras, o mineiro tampouco levava desaforo pra casa, e inspira até hoje, 30 anos após sua morte

Que Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi um dos nossos maiores poetas e escritores todo mundo sabe. E que a morte do poeta mineiro completa 30 anos agora em 2017, muitos lembram. O que poucos sabem, porém, é que o lírico Drummond não era de levar desaforo para casa.

Quem conta o episódio ocorrido ali pelos fins de 1945, é o também escritor e poeta mineira – tão genial quando o amigo – Paulo Mendes Campos:

“ Caíra o Estado Novo. Carlos Drummond de Andrade foi nomeado, entre outros, para transportar o DIP em Departamento Nacional de Informações. Entro no seu gabinete pela manhã e encontro o poeta desalinhado, procurando os óculos: embolara-se com um funcionário malcriado que o ofendera. E estava bem feliz com o resultado do round”. Drummond estava então com 43 anos.

Mas o poeta nascido em Itabira costumava mesmo era se embolar com as palavras. Podia sair exausto ao fim de um poema, mas do outro lado saía volta e meia uma obra-prima. Em seu poema “O lutador”, ele escreveu:

“Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretando, luto.

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.”


Autor de mais de cem livros e hoje estátua famosa na praia de Copacabana, o poeta de pequenos óculos e grande coração e o criador também de uma famosa ode aos perdedores, útil para quando voltar de um amasso severo nos treinos. Drummond escreveu esta em homenagem aos jogadores da seleção brasileira de 1966, derrotada na Copa da Inglaterra. Chamava-se “Aos atletas”:

“Eu, poeta da derrota me levanto
sem revolta e sem pranto
para saudar os atletas vencidos.
Que importa hajam perdido?
Que importa o não-ter-sido?”


E por fim:

“Hoje completos
são os atletas que saúdo:
nas mãos vazias eles trazem tudo
que dobra a fortaleza da alma forte.”



Fonte: Graciemag #241